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terça-feira, 30 de junho de 2020

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Dia Internacional dos Direitos Humanos


Aristides de Sousa Mendes - Um justo entre as nações


“I could not have acted otherwise, and I, therefore, accept all that has befallen me with love.”
                                                           Aristides de Sousa Mendes


QUEM FOI ARISTIDES DE SOUSA MENDES?

“ERA VERDADEIRAMENTE A MINHA INTENÇÃO SALVAR TODA AQUELA GENTE”

“...Aristides de Sousa Mendes foi um Diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou mais de 30.000 vidas da perseguição Nazi, em 1940, no que é considerado como a maior acção de salvamento empreendida por uma pessoa individual...



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O futuro é feito de memórias


Hoje, os alunos com medidas adicionais e a turma do 11º ano do curso Técnico de Geriatria, acompanhados pelas professoras Alexandra Castelar; Beatriz Meireles; Graça Lopes; Manuela Paredes e Natália Ribeiro dirigiram-se à Casa de Repouso São Paio e ao ALECRIM - Lar Residencial e Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, com o intuito de promoverem o contacto intergeracional. A turma de Geriatria levou uma pequena peça de teatro sobre a importância de seguir uma alimentação saudável.

Viveram-se momentos de convívio e de alegria que terão continuidade ao longo do ano letivo.
      Até lá.


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

DEL - Dia Europeu das Línguas (a multiculturalidade)






Assiste-se, hoje mais do que nunca, à chegada de migrantes, oriundos de diferentes países e por diferentes motivos: estudar, trabalhar, procurar uma vida melhor, fugir à guerra...É fundamental que a sociedade os receba de braços abertos, os acolha e aceite as diferenças. 



Este ano, a comemoração do Dia Europeu das Línguas envolveu todo o agrupamento e foi celebrado em diferentes momentos, de diferentes formas, com um parceiro exterior à escola, mas com um só objetivo: apelar ao conhecimento do outro, à paz e à tolerância, através da partilha de tradições, da literatura, do conhecimento de outras línguas.


Assim, associamo-nos às atividades programadas pela Desincoop, Crl que no âmbito do projeto ISLA – Integrated approaches to sharing knowledge on Social inclusion systems of migrants and the role of EU Local Authorities recolheu sugestões junto de cidadãos, migrantes e profissionais sobre atividades espontâneas da sociedade civil, promotoras da inclusão. Durante todo o verão, a comissão organizadora do evento Before fostering intercultural dialogue it is necessary to launch it, que teve lugar na Escola Francisco de Holanda, no dia 24 de setembro, divulgou a iniciativa junto de migrantes que residem em Guimarães, solicitando a sua participação com uma receita e um poema na sua língua nativa. A recolha de receitas deu origem ao Mercado da Saudade e ao jantar intercultural From the world to Guimarães - Do you know my recipe? em que os presentes puderam degustar as especialidades dos diferentes países e conhecer-se melhor.


Os alunos que frequentam o ensino diurno aprenderam os poemas com os alunos dos cursos de Português para Falantes de Outras Línguas, que integraram a organização, e no dia da Conferência houve partilha, entre os participantes, dos poemas que foram traduzidos para português e inglês e foram ilustrados pelos alunos de artes da Escola. Ainda durante a Conferência, os alunos leram poemas de poetas portugueses (em português e inglês) tendo a sua seleção obedecido ao tema de todo o evento.

Presentes tivemos participantes da Alemanha, Argélia, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, China, Croácia, Cuba, Equador, Eslovénia, Espanha, França, Irão, Itália, Jordânia, Lituânia, Palestina, Polónia, Roménia, Síria, Tailândia, Timor-Leste, Ucrânia, Venezuela, Vietname e Zimbabué.

Também nas aulas e nas bibliotecas escolares se celebrou a diversidade e os alunos aprenderam outras línguas e/ou declamaram na sua língua materna. Um pouco por todo o agrupamento, descobriram-se os nossos jovens oriundos de outros países e que hoje fazem parte integrante da nossa comunidade escolar e vimaranense.

Na aula de Inglês, os alunos trabalharam, com a professora Cristina Tomé, as questões ligadas à multiculturalidade e um grupo de alunos produziu um vídeo onde entrevistou colegas e a comunidade de Guimarães.
Os trabalhos, as fotos e as gravações podem ser consultados abaixo.
Um agradecimento a todos os que participaram nestas atividades, nas diferentes escolas do agrupamento e à Desincoop, sempre atenta e preocupada com as questões da integração, da igualdade, da paz…com quem nos identificamos inteiramente.



                                    
                                                 
    

                                                                                                           
  

                                                                                                                                
                                 




                                                                                   

                

                                               

O vídeo que se segue encontra-se dividido para possibilitar a sua publicação no blogue.

                           
                                                                                                                                                                                                          
                             
           





                                 





quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Feliz Regresso às Aulas - Boas Leituras





                                                                                                 Ilustração de Sam Peet

sábado, 1 de junho de 2019

O Melro Branco


O Melro Branco

A peça de teatro infantojuvenil ‘’O Melro Branco’’, aborda subtilmente uma das temáticas mais discutidas atualmente, a discriminação.
A história inicia-se com o nascimento insólito de um melro branco, quando o comum, é os melros serem pretos. O seu pai, ‘’Papa Melro’’, rejeita-o, com medo e vergonha do que os outros melros possam pensar ou julgar (‘’Papa Melro: Uma desonra para a minha família! Se o meu tratamelro levantasse a cabeça! Onde vamos parar, já não se respeita nada! Um melro branco, que dirão os vizinhos?’’).
O Melro Branco, perante insultuosas afirmações, decide partir em busca da sua identidade. No decorrer da sua jornada, depara-se com uma gaivota, uma caturra, um abutre, um flamingo e, por fim, uma pomba. Todos estes animais tinham apenas um ponto em comum: o facto de serem brancos. O pequeno Melro descobriu que não tinha nada a ver com estes animais, pois tinham comportamentos e formas de viver completamente diferentes. À medida que o tempo passava ficava cada vez mais triste por não saber onde era o seu verdadeiro lugar.
Um dia, o Papa Melro ouve um anúncio na rádio a oferecer um grande banquete para quem encontrasse o raríssimo melro branco. A princípio fica chocado com tal notícia, porém reflete no prémio em causa e decide ir à procura do seu filho. Mais tarde, ambos se encontram e o Papa Melro, num tom aparentemente arrependido, pede desculpa ao seu filho e pede para ele voltar para casa. Acrescenta ainda que enquanto estiveram longe refletiu sobre as suas ações e reconheceu que estava errado. O Melro Branco, numa primeira fase, permanece confuso com a aceitação repentina do seu pai, mas logo de seguida fica feliz pela sua busca pessoal ter chegado ao fim e perdoa o Papa Melro.
‘’O Melro Branco’’ apresenta diversas semelhanças com o ‘’Patinho Feio’’ e tantos outros contos e histórias que são inspiradas nos comportamentos da nossa sociedade cada vez mais inabitável. Esta peça tem como principal objetivo criticar e alertar as pessoas para que não cometam os mesmos erros do Papa Melro.
A discriminação é um problema contemporâneo numa sociedade que reivindica todas as formas de igualdade e de equidade.  Para que esta violação dos diretos humanos um dia chegue ao fim é necessário começar por consciencializar os mais novos, que vivem num mundo cada vez mais global onde a emigração é cada vez mais frequente, agora mais do que nunca é urgente que as crianças respeitem outras etnias, religiões, cor de pele.
A luta pela igualdade não tem de partir só das crianças ou jovens, mas também dos seus pais e encarregados de educação que são responsáveis por transmitir tais valores de aceitação e tolerância, para que discursos de ódio camuflados com aquilo que é o politicamente correto não predominem. É importante incutir o maior número de informação às gerações mais novas, para que apurem o seu sentido crítico e lutem por estas importantes causas.
Os jovens são o futuro, para que não volte a reinar um Hitler ou um Kim Jong-Un, para que se evite uma terceira guerra mundial ou guerras civis é de extrema pertinência que peças de teatro como ‘’O Melro Branco’’ e outras tantas histórias continuem a ser exibidas e transmitidas a todas as faixas etárias.
Lara Santos

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Direitos Humanos em questão


As Línguas e Humanidades e uma abordagem interdisciplinar


No dia 8 de maio decorreu, no auditório da Escola Secundária Francisco de Holanda, a apresentação de vários trabalhos realizados durante todo o ano letivo de 2018/2019, no âmbito de um projeto de articulação entre a Biblioteca e algumas disciplinas leccionadas no curso de Línguas e Humanidades, mais concretamente, Filosofia, História A, Geografia C e Psicologia B. Envolveu as turmas de 11º ano LH1 e LH5 e as turmas de 12º ano LH1 e LH2. Contou com a coordenação das professoras, Manuela Paredes, Conceição Guerra, Eva Soares e Luísa Marques. Este projeto teve como tema geral “Os Direitos Humanos” e como subtema, “As Perseguições a Minorias Étnicas e Religiosas”. O objetivo foi abraçar o mesmo tema e analisá-lo sob o ponto de vista específico de cada disciplina envolvida, a fim de lhe conferir uma unidade catalisadora de compreensão do fenómeno analisado pelos alunos. As várias turmas foram desfiando os seus trabalhos numa linha cronológica tendo os alunos iniciado as apresentações pela abordagem histórica, começando pelo aparecimento da primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789, associado à revolução Francesa, e em 1948, pela proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que foi resultado direto do conhecimento das atrocidades cometidas durante a 2ª Guerra Mundial. Por esta razão, os grupos de trabalho debruçaram-se essencialmente sobre a problemática da segunda guerra mundial e o genocídio praticado sobre as minorias étnicas. Os grupos instaram a plateia a refletir sobre a necessidade de salvaguardar direitos considerados fundamentais para a vida do ser humano como os direitos individuais e coletivos, sem discriminação de raça, género ou nacionalidade. Sublinharam o facto de a declaração não ser sobrescrita por todos os países da Organização das Nações Unidas, o que leva a que, todos os anos, seja apresentada uma lista de denúncias e violações cometidas tanto por países subscritores como não-subscritores. Neste sentido foi analisada, numa abordagem geográfica, a violação dos Direitos Humanos e o Genocídio da Arménia, aportando características diferenciadoras ao trabalho inicial. A análise partilhada da obra “O rapaz do caixote de madeira” de Leon Leyson, com imagens do campo de concentração, permitiu uma reflexão sentida, assim como, a análise psicológica de personalidades como  Oskar Schindler e Aristides de Sousa Mendes, envolvidos na segunda Guerra mundial e na luta pela defesa das minorias étnicas, permitiram perceber como se relacionam mente, pensamento e identidade numa lógica deconstrução” do mundo e identidade humana”.  A sessão foi encerrada apoteoticamente com a apresentação dos vídeos da visita de estudo a Amesterdão.

Da sessão ficou no ar o apelo dos jovens palestrantes à partilha de saberes.
É de facto urgente capacitar os jovens, enquanto estudantes, a uma verdadeira atitude reflexiva e consciente acerca do seu tempo presente, que mescla numa linha temporal, passado e futuro. Os direitos humanos continuam a ser um problema no mundo e é por isso urgente que seja promovida a participação ativa de toda a comunidade escolar, através de grupos de sensibilização, como o que realizou a palestra, para que sejam integrados os valores e princípios dos direitos humanos em todas as áreas da vida da escola. Uma escola que promova a igualdade, a não descriminação, a dignidade e o respeito. Uma escola que providencie um ambiente de aprendizagem em que todos os direitos humanos são respeitados, protegidos e promovidos. Uma escola que abrace a inclusão, que proteja todos os membros da comunidade educativa, fazendo da proteção e segurança uma responsabilidade partilhada. Uma escola que trabalhe para capacitar todos os alunos a alcançar todo o seu potencial através da educação, em particular aqueles alunos que são marginalizados devido ao seu género, estatuto ou diferença. Uma escola que capacite os alunos para se tornarem membros ativos da comunidade global, partilhando conhecimento, compreensão e aprendizagem com os outros e atuando para criar um mundo em que os direitos humanos são respeitados, protegidos e promovidos.
Esta é a nossa escola, uma escola de afetos, de partilha de aprendizagens, promotora dos direitos humanos, ensinados, aprendidos, respeitados e assim, nesta lógica, protegidos. 
Tal como foi referido na palestra: “Eu acredito nesta escola. E tu? Queres acreditar comigo? Façamos da minha escola a nossa escola onde os Direitos Humanos são uma verdade!”
                                                                                      Luísa Marques



domingo, 14 de abril de 2019

Reflexão pessoal - LIBERDADE


Sempre ouvi falar em Liberdade. Daquilo que ela representa e da sorte que tenho em poder, livremente, afirmar que sou livre. Não imagino um mundo sem ela. Não faz – e espero que nunca venha a fazer – parte da minha realidade.
Desde cedo que a liberdade de expressão, de pensamento e a igualdade me foram incutidas de diversas formas. Sempre aceitei e, de facto, sou uma sortuda por ter acesso a esta bênção. Quando, por algum motivo, a me repreendem, sinto-me inconformada e injustiçada.
Mas, nem sempre foi assim. Para eu conseguir ter esta maravilhosa dádiva, outros tantos inconformados, como eu, morreram, foram presos, maltratados e excluídos para que a liberdade fosse implantada no nosso pequenino país. Graças aos corajosos que levantaram a voz quando eram impedidos de falar, por causa daqueles que se moveram quando tinham quilos de ignorância atados a si, por mérito da população que vivia inquieta e ansiosa pela mudança, deu-se a revolução da nossa vida. Conseguimos!
No entanto, nem tudo é tão linear quanto parece. E jamais se julgue que a liberdade está instalada porque não nos está garantida! A barreira está lá, mas aparece-nos disfarçada. Todos os dias somos invadidos e enganados pelos diversos meios de comunicação, pelas redes sociais, pelo nosso amigo mais próximo. É preciso cuidado! É preciso coragem! É necessário ter noção dos perigos que existem e que comandam a sociedade. O mundo não é fácil. E é indispensável a consciência moral e social. Só vive feliz quem vive na ignorância. Ainda assim, temos que viver intensamente, com paixão, com vivacidade e veracidade.
Estamos melhores, mas não estamos bem! Vivemos, ainda hoje, num mundo de corrupção, de abandonos sociais, de má aplicação do dinheiro. E, perante isto, não podemos baixar os braços. É preciso continuar a lutar, dia após dia desde o dia vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro.


“Ser português é ter na guelra o sangue quente arrefecido por uma ditadura. Ser português é ter poesia de revolução e fazê-la sem violência e de cravo na mão.”
[“Ser português é...” de Guilherme Duarte]

                                                                                  Teresa Cunha, 11LH5, 2018-2019

O 25 de Abril foi um ponto de viragem relativamente a ideais, mentalidades e regime político. Contribuiu para uma sociedade livre, com direito a expressar-se e pensar livremente. Um dia vincado pelo fim da ditadura e pela valorização dos direitos do cidadão.
É inevitável relembrar aqueles que, num momento muito importante da nossa História, se arriscaram em prol de ideais maiores, com um espírito de coragem e humildade, desafiando um regime altamente repressivo que submeteu o povo português à ignorância, censurando tudo aquilo que não convinha ao governo e pondo em causa os direitos humanos.
Efetivamente, o 25 de abril contribuiu para a sociedade em que todos nós vivemos, porém, este trabalho fez-me entender que os princípios inerentes à Revolução têm sido progressivamente esquecidos. A verdade é que a ditadura existe, não em termos de comparação ao regime salazarista, no entanto, ela está camuflada em diversos elementos e meios de comunicação presentes no nosso quotidiano e, neste sentido, os testemunhos fizeram-me consciencializar de que a liberdade é um trajeto longo, não é um processo efetivo nem tão pouco repentino, por isso, é essencial todos os dias fazermos valer os nossos direitos e respeitarmos os outros, não os submetendo aos nossos interesses.

Em suma, é necessário valorizar e preservar nas nossas mentes o nosso passado político, uma vez que foi ele próprio que nos tornou no que somos hoje e, como tal, devemos abandonar a conformidade e lutar pela liberdade e pela igualdade dia após dia, de modo a não cometermos os mesmos erros do passado.
                                                                             Bruna Salgado, 11LH5, 2018-2019

Ao longo do tempo, vim realizando inúmeros trabalhos sobre diversas obras, desde textos narrativos, a poemas e, por fim, teatro. Este foi sem dúvida o trabalho mais árduo, porém o mais interessante e com o qual enriqueci mais a nível histórico e literário.
Alexandre O´Neill, foi o inesperado, uma vez que não contava deparar-me com a poesia magnífica deste, mergulhada em plena ironia, desespero, nojo e tremendamente humana. Posso afirmar que foi um enorme privilégio estudar os seus poemas e a sua vida e é, sem dúvida, a meu ver, um dos melhores poetas portugueses.
Em relação ao conhecimento do passado histórico, revivi, aprendi e modifiquei a minha opinião face ao 25 de abril de 1974, pois refleti sobre os objetivos desta revolução no presente, na qual achei afincadamente que necessitamos de trabalhar muito neste aspeto ou talvez precisemos de uma nova Revolução dos Cravos.
Concluindo, foi um trabalho repleto de aprendizagem e de regresso ao passado dos meus antecedentes antepassados e de uma verdadeira reflexão sobre o nosso mundo e o futuro do mesmo. Também foi bastante interessante pelas diferentes ferramentas usadas para a construção do projeto final, desde os poemas, as pesquisas, a interação com as pessoas que presenciaram o antes e depois do 25 de abril de 1974, e, por último, a arte.

                                                                                    Cláudia Costa, 11LH5, 2018-2019





sábado, 13 de abril de 2019

Entrevista a Carlos Poças Falcão e Torcato Ribeiro


No âmbito do Projeto Individual de Leitura, relativo à Revolução de 25 de abril de 1974, fomos conhecer e entrevistar duas pessoas influentes na cidade de Guimarães que nasceram e cresceram no regime salazarista e que foram personagens intervenientes nas manifestações pré-democracia que ocorreram na nossa cidade.

Torcato Ribeiro e Poças Falcão recordam-se de uma sociedade portuguesa com mentalidades fechadas e movida a medo, recheada de pessoas ignorantes e pouco instruídas. Têm como primeiras memórias um regime duramente autoritário onde até nas escolas havia uma separação entre rapazes e raparigas. Lembram-se de ouvir rádios ilegais que davam notícias clandestinas, por vezes de forma perigosa e, muitas vezes, dentro dos seus carros em plenas noites escuras. Ainda viram pais e amigos a seres presos pela PIDE por serem, simplesmente, opositores ao regime que governava Portugal.

Embora jovens, tinham a perceção da situação social e, aliada à juventude, a vontade de participar em lutas e de serem “valentes revolucionários” era enorme. Movidos pela ânsia de liberdade, pelo querer mudar o mundo (caraterística tão marcante desta fase da vida) e pelo desejo de viverem a sua mocidade em plenitude, relembram a adrenalina que sentiam quando imprimiam panfletos a denunciar a ditadura e distribuíam pela população. Era – como diziam – um dever cívico!
Caraterizam o pós-revolução como um período de paixão, de calor, com todos os sentimentos à flor da pele e declaram que o 25 de Abril é, sem dúvida, uma grande e maravilhosa data da História.

Neste segmento e sabendo como o meu avô aborda este tema, tive uma conversa com ele.
O meu avô, oriundo de uma típica família portuguesa do século XX, habituada à prática da agricultura intensiva, ao lema “trabalhar para comer”, às mentalidades fechadas dos seus progenitores pouco propícios a novos horizontes – que embora analfabetos, fizeram de tudo para proporcionar o melhor aos seus onze filhos e a muitos outros que foram acolhendo pela vida fora – tinha 27 anos, já casado e com um filho com paralisia cerebral quando se dá a Revolução de 25 de Abril.
O pai da minha mãe recorda a sua infância como uma vida simples e feliz dentro daquilo que conhecia. Lembra-se de correr a pé com um carro puxado a bois todas as ruas da sua aldeia e da sua cidade, lembra-se de brincar nas vielas sempre sem qualquer tipo de restrição, apenas com a autoridade parental. “Fazia aquilo que queria sem me ser proibido nada”, “nem eu nem a minha família tivemos qualquer problema com o regime, pois estávamos sempre na nossa vidinha”. Sem qualquer ambição, viveu uma vida meramente terrena, comparada ao fervor revolucionário de Torcato Ribeiro e Poças Falcão.
O meu avô diz, seguramente, que “o que fazia falta nos dias de hoje era um Salazar para trazer de novo ordem a este nosso Portugal”. No entanto, tem a plena noção de que, embora fossem “comboios de barras de ouro” a chegar a Portugal, as pessoas viviam miseravelmente e que havia, de facto, um atraso a nível social. Refere ainda que muito foi feito em relação ao desenvolvimento do país e reconhece que, embora Salazar fosse uma pessoa que hoje faria falta, estamos melhores sem a sua opressão.
                                                                                      Teresa Cunha, 11LH5, 2018-2019

Conhecido de norte a sul do país, marcado pelas suas mudanças bastante significativas e pintado de liberdade, assim é caracterizado o 25 de abril de 1974, a data que modificou a nossa história, o nosso Portugal. Testemunhos de dois homens e duas mulheres, antes adolescentes e agora adultos completos retratam o seu 25 de abril de 1974, numa viagem de regresso ao passado.
“Sociedade do medo”, “Ignorantes” assim carateriza, Poças Falcão e Torcato Ribeiro, a população portuguesa antes da Revolução dos Cravos. Estes dois homens, antigos estudantes do Liceu de Guimarães e da Escola Industrial de Guimarães, atualmente Escola Secundária Martins Sarmento e Escola Francisco de Holanda, respetivamente, relatam a separação entre as mulheres e os homens nesse espaço e a sua luta para pôr um ponto final nesta situação. Ambos tinha uma perceção do que acontecia na cidade e no resto do país e participavam em movimentos, lutas, manifestações, iniciativas pela liberdade, democracia e para o convívio entre os homens e as mulheres. Estas revoltas deram frutos, como, por exemplo, a existência de apenas uma sala de convívio entre homens e mulheres na fábrica, sendo aos olhos destes uma grande vitória.
Para além destes factos, a emigração era bastante presente devido às dificuldades económicas, segundo Ana Maria de Azevedo Pereira que relata que diversos portugueses, como o seu marido Joaquim Martins Ferreira, “iam a monte”, ou seja, passavam o rio de Portugal para a Espanha com um passador, designação atribuída à pessoa que “levava” clandestinamente os portugueses para outro país, como um familiar seu.
Também a guerra colonial teve a sua marca violenta, pois era vista como “perigo de morte” deixando traumas em quem participasse na mesma, segundo Poças Falcão e Torcato Ribeiro. Como despedida dos participantes desta guerra e como a probabilidade de sobrevivência era pouca realizava-se o Desfile de Concertinas como forma de despedida. 
Todos estes fatores contribuíram fortemente para a revolução que deu oportunidade aos portugueses de terem liberdade de expressão, facto que foi mencionado por todos os entrevistados, já que antes do 25 de abril de 1974 caso um indivíduo mostrasse a sua oposição face ao partido ou alguém do regime era-lhe retirado os seus estudos, perdia o emprego ou era preso, sendo que segundo alguns relatos que a entrevistada Ana de Azevedo ouvia na prisão do Tejo, em Lisboa, muitos prisioneiros eram afogados no rio Tejo.
Todavia, Maria de Assunção revela que “O 25 de abril foi bom, mas precisamos de outro!”, uma vez que as injustiças, abandonos e as desigualdades sociais, a corrupção, a má aplicação dos direitos políticos, a falta de respeito e a violência abrangeu Portugal depois do 25 de abril de 1974 até aos dias de hoje, afirmação que é compartilhada pelos restantes entrevistados.  

                                                                                Cláudia Costa, 11LH5, 2018-2019



quinta-feira, 21 de março de 2019

Memórias de Abril de 1974


Recebemos, hoje, Carlos Poças Falcão e Torcato Ribeiro que partilharam, com os nossos jovens, as suas memórias aquando a revolução dos cravos. Uma conversa informal, amigável, mas muitíssimo interessante, já que os nossos convidados são vimaranenses e havia grande curiosidade em saber como se viveu, na nossa cidade, esse grande acontecimento.
As turmas presentes, 10LH3 e 11LH5, encontram-se a fazer uma pesquisa, no âmbito do Projeto Individual de Leitura. Aí, os alunos estão a estudar os poetas de abril e o contexto histórico em que estes foram escritos. Considerou-se que este era um bom momento para que os nossos jovens procurassem testemunhos da época, que lhes pudessem falar, na primeira pessoa, como se viveu a revolução na nossa cidade. Uma oportunidade, também, para falarem com os seus familiares e amigos.


quarta-feira, 20 de março de 2019

Visita de estudo a Amesterdão


Introdução
No âmbito do projeto que desenvolvido na disciplina de História, juntamente com a biblioteca escolar, sobre os direitos humanos, abordámos, inevitavelmente, o Holocausto. Na sequência desse estudo, fomos a Amesterdão, com o intuito de conhecer não só a cidade como também os museus que fazem parte da herança desta cidade e que constituem um elemento muito importante nesta visita.

7 de março de 2019
No dia 7 de março, pelas 11:45h, fomos visitar a casa de Anne Frank com o objetivo de conhecer melhor a sua história e entender a sua mensagem. Aí, fomos recebidos por Diána Serhal, Casa de Anne Frank, que nos recebeu com enorme simpatia e nos levou ao jardim interior, de onde se via a Casa de Anne e a pequena janela do sótão. No jardim, pudemos tirar fotografias, mas no interior não era permitido. Seguimos, depois, o percurso pelas diversas divisões da casa onde nos foram explicados detalhadamente os acontecimentos ocorridos, através de um áudio guia que nos foi fornecido à entrada. A par deste trajeto eram citados alguns parágrafos do Diário de Anne Frank, que nos levaram a uma viagem no tempo e nos puseram na pele de Anne.
O anexo, que serviu de esconderijo, assume principal importância tanto na vida de Anne e sua família como também no próprio museu. Lá, foi escrito o famoso diário durante a 2.ª Guerra Mundial, que se encontra, originalmente, exposto naquela casa. Os cadernos em exposição tratavam de temas como a perseguição aos judeus durante toda a guerra, o fascismo, o racismo e o antissemitismo. As paredes possuíam, inclusive, várias gravuras que foram restauradas e que estavam protegidas com vidro.  A verdade é que, após a descoberta da família, pelos nazis, restou muito pouco, uma vez que eles tinham destruído tudo.
Num primeiro momento, as nossas expectativas baseavam-se, de certo modo, em elementos e objetos que transmitissem a efetiva presença de Anne na casa, porém, percebemos que o intuito daquele espaço era transparecer o vazio que Otto, pai de Anne, sentia pelo facto de lhe terem tirado tudo.
Em suma, esta visita contribuiu para a sensibilização de um acontecimento que teve efeitos catastróficos e, nesse sentido, a mensagem essencial consiste em não repetir os mesmos erros do passado.

8 de março de 2019
Dia 8, de manhã, fomos visitar a Sinagoga Portuguesa. A ajuda do áudio-guia foi preciosa, já que explicava, pormenorizadamente, o espaço e os seus objetos.
Visitámos, também, o Museu Judaico que apresentava diversas pinturas e textos referentes à religião.
Seguimos para o Museu do Holocausto que, estando em construção, não tinha áudio-guias. No entanto, este museu foi bastante interessante e educativo dado que apresentava diversas histórias de crianças e jovens que sofreram a pressão nazi.
Ao final da tarde, fomos conhecer o Memorial do Holocausto que tinha, na parede principal, o nome de todos os judeus vítimas desta guerra.
Em suma, este dia dedicado ao tema do Holocausto relacionou-se diretamente com o trabalho desenvolvido em História e, por isso, enriqueceu os nossos conhecimentos.

Dia 9 de Março de 2019
Dia 9 de março, de manhã, visitámos o museu Van Gogh. Esta visita fez-se livremente, o que possibilitou a análise interpretativa de cada aluno perante as obras mais emblemáticas do pintor.
Seguimos num passeio pela cidade e tivemos a oportunidade de visitar a Igreja de S. Nicolau, o padroeiro das nossas festas Nicolinas.
À hora de almoço, dirigimo-nos para a Biblioteca Central de Amesterdão, que é constituída por diversos pisos, nomeadamente um piso de restauração, onde almoçámos. O sétimo piso deste edifício tem uma deliciosa vista panorâmica sobre a cidade holandesa.
Durante a tarde, fomos conhecer o Rijksmuseum, que possui obras e peças de arte representativas do país. Devido à sua grande dimensão não nos foi possível conhecê-lo totalmente, porém, revelou-se um museu imponente.

Após o Rijksmuseum, ficámos livres para passear pelas diferentes áreas da cidade e ficámos ainda a conhecer o Mercados das Flores.
Assim, este dia foi totalmente distinto dos anteriores e dedicado, em exclusivo, à arte.

Conclusão
Como é possível verificar, esta visita foi repleta de novas aprendizagens e essencialmente promoveu o convívio entre alunos e mesmo entre professores e alunos. A verdade é que Amesterdão é uma cidade muito diferente, com estilos de vida totalmente distintos daqueles a que estamos habituados. É uma cidade que surpreende a cada recanto e que nos presenteia com paisagens incríveis.
Para concluir, queremos dizer que, quando tiverem uma oportunidade desta aproveitem-na! Garantidamente, vai ser uma experiência única e enriquecedora.
Bruna Salgado; Teresa Cunha; Inês Ramos; Maria Silva




                                             

sábado, 2 de março de 2019

Exposição "Anne Frank -uma história para hoje"


A Fundação Anne Frank disponibilizou uma das suas exposições, que pôde ser visitada pela comunidade educativa assim como pelos vimaranenses. Com esta exposição pretendeu-se manter viva a memória de Anne Frank, símbolo das vítimas de discriminação e opressão, e informar sobre o período no qual o regime nazi esteve no poder. 
A exposição dá a conhecer a história, através da perspetiva da família Frank, relacionando-a ao Holocausto. Há nela diferentes elementos que pretendem levar o visitante a pensar sobre as semelhanças e diferenças entre o passado e acontecimentos no mundo atual. Deste modo, procura estimular a reflexão sobre conceitos como a liberdade, respeito mútuo, direitos humanos e democracia. 
Para além disso, há hoje a consciência de que é necessário promover uma cidadania participativa para a preservação da liberdade e dos direitos humanos. Anne, com o seu diário, continua a inspirar-nos e a incentivar-nos à ação. Como ela mesma diz: "Como seria maravilhoso que ninguém tivesse que esperar um único momento antes de começar a melhorar o mundo".
As guias, alunas pertencentes à turma 10LH3, disponibilizaram o seu tempo livre e estiveram na escola para explicar a exposição. Foram muitas as turmas que por ali passaram: o 12º ano, com o professor João Jorge; as turmas do ensino profissional, com o professor Vítor Leite; as turmas de Línguas e Humanidades, com a professora Eva Soares e Luís Viamonte; as turmas das professoras Glória e Cândida, do 1º ciclo; uma turma do 8º ano, da EB2,3 Egas Moniz. As guias responderam às questões colocadas pelos colegas, havendo uma interação muito interessante. 
Alguns alunos deixaram o seu testemunho no livro de Anne Frank, que acompanha a exposição.



sábado, 16 de fevereiro de 2019

Exposição - Holocausto

No ano letivo de 2017-2018, um grupo de alunos realizou uma visita de estudo a Cracóvia, no Âmbito do projeto sobre os Direitos Humanos, organizado pela biblioteca escolar e os professores Eva Soares e João Almeida, de História. Ainda no ano letivo anterior, a biblioteca escolar e os alunos que participaram na visita, realizaram algumas exposições para dar a conhecer os locais visitados.
Este ano letivo, entre 7 e 15 de fevereiro, as alunas Ana Topete, Francisco Carvalho, Isabella Werner (12LH4) e José Freitas e Nádia Silva (12LH1) serviram de guias às turmas que visitaram a exposição sobre o holocausto, partilhando, também, as suas vivências nos locais. Foram 12, as turmas que passaram pela biblioteca acompanhadas pelos seus professores, desde o 9º ao 12ºano. A exposição foi, assim, um ponto de partida para a reflexão sobre a violação dos direitos humanos e a necessidade imperiosa de não deixar que algo como o holocausto se repita.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Free2choose – Discussão sobre os limites da liberdade

Direitos Humanos em questão
Situação dilemática escolhida - “uma jovem está a ser agredida pelo namorado na via pública” – intervir ou não? obrigação moral ou legal?

Hoje, o Dr. Miguel Prata Gomes, coordenador dos projetos da Casa de Anne Frank deslocou-se à nossa escola para dinamizar o workshop “Free2choose”. Os destinatários eram as turmas 10LH3 e 11LH5 que debateram de forma séria e responsável, questões como o racismo, a xenofobia, entre outros. Num outro momento, das questões apresentadas nos vídeos constantes do DVD – Free2choose – escolheram uma das situações e, em grupos tomaram uma posição, discutiram-na e apresentaram as conclusões ao auditório. Duas horas de debate muito interessante e das quais saíram, certamente, importantes momentos para reflexão.





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Workshop “Free2choose”


A biblioteca escolar tem vindo a desenvolver atividades associadas aos Direitos Humanos, pela sua atualidade e pertinência, já que queremos cidadãos responsáveis e sensíveis para a defesa e respeito por estes direitos. É nesse âmbito que se realizará o workshop “Free2choose”, dinamizado por Miguel Prata Gomes, coordenador de projetos internacionais e responsável pela gestão dos projetos da Casa Anne Frank.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Exposição "Anne Frank - uma história para hoje"




De 11 a 27 de fevereiro exposição Anne Frank -uma história para hoje poderá ser visitada pela comunidade educativa assim como pelos vimaranenses. Esta exposição pretende manter viva a memória de Anne Frank, cujo diário a transformou no símbolo das vítimas de todas as formas de discriminação e opressão, e de informar sobre o período no qual o regime nazi esteve no poder.
A exposição oferece um contdo extremamente atual para reflexão.
A história é contada através da perspetiva da família Frank e é relacionada com a história do Holocausto a partir do   relato   d sobreviventes.   Contém   ainda diversos elementos que desafiam a pensar sobre as semelhanças e diferenças entre aqueles eventos do passado e acontecimentos no mundo atual, com o objetivo de estimular a reflexão sobre a importância de conceitos como a liberdade, respeito mútuo, direitos humanos e democracia.
Acrescenta-se a importância, para os dias atuais, da consciencialização quanto à necessidade de uma cidadania participativa para a preservação da liberdade e dos direitos humanos, bases fundamentais para a existência de sociedades plurais e democticas construídas pelo gérmen da diversidade.
As palavras de Anne, ainda hoje, inspiram-nos a agir: "Como seria maravilhoso que ninguém tivesse que esperar um único momento antes de começar a melhorar o mundo".

(excerto do documento para os visitantes, da responsabilidade Anne Frank House Portugal)